



Dois de fevereiro
Dorival Caymmi
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
Pra salvar Iemanjá
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
Pra salvar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela
Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou



Tudo está ligado, como o sangue que une uma família.
Todas
as coisas estão ligadas.
O que acontece à Terra recai sobre os filhos da
Terra.
Não foi o homem que teceu a trama da vida.
Ele é só um fio dentro
dela.
Tudo o que ele fizer à teia estará fazendo a si mesmo.
Chefe Seattle (1856)


Ave da Esperança
Passo a noite a sonhar o amanhecer.
Sou a ave da
esperança.
Pássaro triste que na luz do sol
Aquece as alegrias do
futuro,
O tempo que há-de vir sem este muro
De silêncio e negrura
A
cercá-lo de medo e de espessura
Maciça e tumular;
O tempo que há-de vir -
esse desejo
Com asas, primavera e liberdade;
Tempo que ninguém
há-de
Corromper
Com palavras de amor, que são a morte
Antes de se
morrer.
Miguel Torga

Só peço a Deus
Só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a
seca morte não me encontre
Vazio e só sem haver feito o suficiente.
Só peço a Deus
Que o injusto não me seja indiferente
Que
não me esbofeteiem a outra face
Depois que uma garra me arranhou esta
sorte.
Só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um
monstro grande e pisa forte
Toda a pobre inocência das pessoas.
Só peço a Deus
Que o engano não me seja indiferente
Se um
traidor pode mais que uns tantos
Esses tantos não esqueçam facilmente.
Só peço a Deus
Que o futuro não seja
indiferente
Desesperançoso estão que tem que marchar
A viver uma cultura
diferente.
Só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um
monstro grande e pisa forte
Toda a pobre inocência das pessoas.
Leon Gieco


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onde vou...


Antes de seres
Só havia céu e vento
E a vida era lisa e passava.
Só o vento, feito brisa, me sussurrava
O teu nome.
E eu não o entendia.
Porque era tempo de céu e vento,
De vida lisa, dia a dia,
Sem sonhos de terra
E de pés para caminhar.
Quando a meus olhos
Sólido e concreto te tornaste,
Quando de ti soube o nome
E o tocar,
Não mais a vida foi lisa
Tempo breve.
E sonhei caminhos e terra
E corpo para chegar.
Encandescente

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O amor é a coisa mais alegre.
O amor é a coisa mais triste.
O amor é a coisa que mais quero.
Aquilo que a memória amou fica eterno.
Adelia Prado
*
Saudade é o revés de um parto. Saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu...
Chico Buarque
*
Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter,
ter deve ser a pior maneira de gostar.
Jose Saramago
*
Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclípse...
A conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira, que por medo da bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação.
Carlos Drummond de Andrade
*
A vida é a arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida.
"...que não seja eterno, posto que é chama,
mas, que seja imortal, infinito, enquanto dure..."
Vinícius de Morais
*
Caminhante, tuas pegadas
são o caminho, nada mais.
Caminhante, não há caminhos,
faz-se o caminho ao andar.
Antônio Machado
*
O sábio espera tudo de si mesmo. O homem espera dos outros.
Confúcio
*
Não se preocupe em entender! Viver ultrapassa todo entendimento.
Clarice Lispector
*
Cansei de ser moderno. quero ser eterno.
Picasso
*
O impossível é o possível que nunca foi tentado. Chega quem caminha!.
Charles Chaplin
*
Temos sentido muito pouca alegria. Este somente, é o nosso pecado original.
Nietzche
*
A única diferença entre um louco e eu, é que eu não sou louco.
Quando pinto, marulha o mar. Os outros chapinham na água da banheira.
O desejo de sobreviver e o medo perante a morte, são emoções próprias do artista.
As duas maiores felicidades que podem suceder a um pintor são:
- ser espanhol,
- chamar-se Dalí.
Salvador Dalí
*
A alma é uma paisagem. As paisagens da alma não podem ser comunicadas. Quanto mais fundo entramos nas paisagens da alma, mais silenciosos ficamos.
A exuberância do conhecimento científico vai, frequentemente, lado a lado com uma total penúria de sabedoria.
Rubem Alves
*
"...e o fim de vossa viagem será chegar ao lugar de onde
partimos. E conhecê-lo então pela primeira vez".
T. S. Eliot
*


Poema Do Menino Jesus
Fernando Pessoa
Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como
uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez
menino, a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a
ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais pra
fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo
andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e
roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que
Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele
criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado
na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro
raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança
bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças
d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,
e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha
graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as
bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olhar
para as coisas. Ele me aponta todas as cores que há
nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para
elas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no
degrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS
e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair
no chão.
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos
homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri
dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir
falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da
minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o
lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo
materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de
noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de perna pro ar,
põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,
sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais
pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua
casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e
humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos teus para eu
brincar.


Quadras...
Vai alta a nuvem que passa.
Vai alto
o meu pensamento
Que é escravo da tua graça
Como a nuvem o é do
vento.
*
As gaivotas, tantas, tantas,
Voam no
rio que é o mar…
Também sem querer encantas,
Nem é preciso
voar.
*
Todos os dias que passam
Sem passares
por aqui
São dias em que só passa
O estar a esperar-te a
ti.
*
Tenho um livrinho onde escrevo
O que
me lembro de ti.
Esse livro é o meu enlevo
Ainda lá nada
escrevi.
*
Leve vem a onda breve
Que se estende
a adormecer,
Breve vem a onda leve
Que nos ensina a
esquecer.
*
Tenho um segredo a dizer-te
Que não
te posso dizer.
E com isto já t’o disse
Estavas farta de o
saber…
*
Compreender um ao outro
É um jogo
complicado,
Pois não sabe quem engana
Se não estará
enganado.
*
Quando compões o cabelo
Com a tua mão
distraída,
Fazes-me um novelo
No pensamento da vida.
*
Teus olhos de quem fita –
Vagueiam,
‘stão na distância.
Se não fosses tão bonita
Isso não tinha
importância.
*
Toda a noite, toda a noite,
Toda a
noite sem pensar…
Toda a noite sem dormir
E sem tudo isso
acabar…
*
Tenho uma pena que escreve
Aquilo
que eu sempre sinta.
Se é mentira, escreve leve.
Se é verdade, não tem
tinta.
*
Teus olhos poisam no chão
Para não me
olhar de frente.
Tens vontade de sorrir
Ou de rir? É tão diferente.
Fernando Pessoa







_____
_____

***





Oração a São Expedito
Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes interceda por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo, socorra-me nesta hora de aflição e desespero, meu Santo Expedito Vós que sois um Santo guerreiro, Vós que sois o Santo dos aflitos, Vós que sois o Santo dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas urgentes, proteja-me. Ajuda-me, Dai-me força, coragem e serenidade. Atenda meu pedido (Fazer o pedido). Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estas horas difíceis, proteja de todos que possam me prejudicar, proteja minha família, atenda ao meu pedido com urgência. Devolva-me a paz e a tranqüilidade. Meu Santo Expedito! Serei grato pelo resto de minha vida e levarei seu nome a todos que têm fé.
Muito obrigado.
(Rezar 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria e fazer o sinal da cruz)






Yemanjá dos saveiros, Yemanjá dos negros, Yemanjá do mar…
Yemanjá de Caymmi, Yemanjá de Jorge Amado, Yemanjá dos pescadores…
Nossa Yemanjá. Odô iyá!

"Yemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê,
Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é
o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das
terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta." Jorge Amado

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Desejo vc sempre feliz, meu Eu...beijo de amor e carinho...

As Fontes
Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.
Sophia de Mello Breyner Andresen




O Homem e o Mar
Homem livre, o oceano é um espelho fulgente
Que tu sempre hás de amar. No seu dorso agitado,
Como em puro cristal, contemplas, retratado,
Ter íntimo sentir, teu coração ardente.
Gostas de te banhar na tua própria imagem.
Das-lhe beijo até, e , às vezes, teus gemidos
Nem sentes, ao escutar os gritos doloridos,
As queixas que ele diz em mística linguagem.
Vós sois, ambos os dois, discretos tenebrosos;
Homem, ninguém sondou teus negros paroxismos,
O' mar, ninguém conhece os teus fundos abismos;
Os segredos guardais, avaros, receosos!
E há séculos mil, séc'ulos inumeráveis,
Que os dois vos combateis n'uma luta selvagem,
De tal modo gostais n'uma luta selvagem,
Eternos lutador's ó irmãos implacáveis!
Charles Baudelaire/tradução de Delfim Guimarães



onde estou...

Para meu Eu., com amor...
........

"Deveria chamar-te claridade pelo modo
espontâneo, franco e aberto, com que
encheste de cor meu mundo escuro..."
Vinícius de Moraes
....

Ensina-me
Ensina-me como aprenderei a contar
As areias da praia
Sem as espalhar
Como juntar as nuvens
Sem as esfarrapar
Como nadar no rio sem me molhar
Ensina-me a amar sem sofrer
A ter sem saber
A compartilhar e receber
A dar e perder
Ensina-me a voar
A ter asas e as merecer
A usar as palavras
Sem as estragar
E sobretudo
Ensina-me a ficar
Aqui a olhar
O vaivém das ondas do mar…
Piedade Araújo Sol

Eu já sentia saudade
Antes mesmo de te conhecer,
eu já sentia saudades de você...
Mesmo sem nunca ter te visto.
Eu já sentia saudades,
Já te imaginava assim: terno, doce
e com um carinho muito grande por mim...
Sim, eu já imaginava você...
Era como se eu já esperasse
a tua chegada na minha vida.
Podia até adivinhar
como seria te encontrar,
pois eu já sentia muitas saudades de você...
Um você que demorou a chegar,
um você que me fez tanta falta,
um você que se escondeu durante tanto tempo
para só agora aparecer e mudar tudo.
Em segredo me encantar,
me trazer de volta uma felicidade
que eu havia desistido de sentir...
Me trazer essa paz
que está me fazendo tanto bem!
Eu já sentia saudades desse sentimento,
essa estranha alegria que está em mim
ao lembrar de você.
Para mim é como se tudo isso
já tivesse acontecido.
Cada gesto seu, eu já conhecia;
cada olhar que me lança,
eu já havia esperado.
Eu sabia que o nosso primeiro momento
seria como foi: único, sereno, natural, mágico...
E agora que te encontrei,
sinto que você é muito mais do que eu imaginava.
É muito melhor.
E eu sabia que seria assim:
uma calmaria dentro do meu coração
e ao mesmo tempo uma enorme chama que queima...
Vilma Galvão

onde estou...


“Que todos os seres sejam felizes,
Estejam onde estiverem,
Sejam fracos ou fortes,
Altos, baixos ou medianos,
Pequenos ou grandes.
Que todos, sem exceção, sejam felizes.
Seres visíveis ou invisíveis,
Aqueles que moram perto ou longe.
Aqueles que nasceram
E aqueles que ainda estão por nascer.
Que todos os seres sejam felizes.”
(Prece extraída do texto sagrado Sutra)
Deus, leva-nos do irreal para o real. Ó Deus, leva-nos da escuridão para a luz. Ó Deus, leva-nos da morte para a imortalidade. Shanti, Shanti, Shanti a todos. Ó Senhor Deus Todo Poderoso, que haja paz nas regiões celestiais. Que haja paz sobre a terra. Que as águas sejam apacentadoras. Que as ervas sejam nutritivas, e que as árvores e plantas tragam paz a todos. Que todos os seres benéficos tragam-nos a paz. Que a Lei dos Vedas propague a paz por todo o mundo. Que todas as coisas sejam fonte de paz para nós. E que a Vossa paz possa trazer a paz a todos, e a mim também.
(Oração Hindu pela Paz)

História Antiga
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.
Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga

O Céu e o Ninho
És ao mesmo tempo o céu e o ninho.
Meu belo amigo, aqui no ninho,
o teu amor prende a alma
com mil cores,
cores e músicas.
Chega a manhã,
trazendo na mão a cesta de oiro,
com a grinalda da formosura,
para coroar a terra em silêncio!
Chega a noite pelas veredas não andadas
dos prados solitários,
já abandonados pelos rebanhos!
Traz, na sua bilha de oiro,
a fresca bebida da paz,
recolhida
no mar ocidental do descanso.
Mas onde o céu infinito se abre,
para que a alma possa voar,
reina a branca claridade imaculada.
Ali não há dia nem noite,
nem forma, nem cor,
nem sequer nunca, nunca,
uma palavra!
Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Para você meu Eu. querido, bjus...
__________________________ onde estou...




Eu e Água
A água arrepiada pelo vento.
A água e seu cochicho.
A água e seu rugido.
A água e seu silêncio.
A água me contou muitos segredos.
Guardou os meus segredos.
Refez os meus desenhos.
Trouxe e levou meus medos.
A grande mãe me viu num quarto
cheio d’água.
Num enorme quarto lindo e
cheio d’água.
E eu nunca me afogava.
O mar total e eu dentro do
eterno ventre.
E a voz do meu pai, voz de
muitas águas.
Depois o rio passa.
Eu e água.
Eu e água.
Eu.
Cachoeira, lago, onda, gota.
Chuva miúda, fonte, neve, mar.
A vida que me é dada.
Eu e água.
Água, lava as mazelas do mundo.
E lava a minha alma.
Caetano Veloso

Louvação a Oxum
Kerêô declaro aos de casa que estou chegando
Quem sabe venha buscar-me em festa
Orarei a Oxum
Que adoro Oxum, sei que sim
Xinguinxi comigo
Oxum que me cura com água fresca
Sem gota de sangue
Dona do oculto, a que sabe e cala
No puro frescor de sua morada
Oh! Minha mãe, rainha dos rios
Água que faz crescer as crianças
Dona da brisa de lagos
Corpo divino sem osso nem sangue
Orarei a Oxum
Que adoro Oxum, sei que sim
Xinguinxi comigo
Eu saúdo quem rompe na guerra
Senhora das águas que correm caladas
Oxum das águas de todo som
Água da aurora no mar agora
Bela mãe da grinalda de flores
Alegria da minha manhã
Orarei a Oxum
Que adoro Oxum, sei que sim
Xinguinxi comigo
Ipondá que se oculta no escuro
De longe me chega a cintilação
dos seus cílios
Oxum é água que aparta a morte
Oxum melhora a cabeça ruim
A yê yê orarei!
Bendita onda que inunda a casa do traidor
Orarei a Oxum
Que adoro Oxum, sei que sim
Xinguinxi comigo
Oxum que eu bendigo na boca do dia
Oxum que eu adoro
Rica de dons
Riqueza dos rios
Oxum que chamei
Que não chamei
Adê-okô
Senhora das águas
Maria Bethânia

Oxum,
Que o seu manto sagrado nos envolva e nos recorde a sabedoria de "saber ser mulher";
Que suas águas nos purifique e nos lembre o real sentido da vida;
Que sua cor dourada nos remeta ao sol, que brilha internamente em cada coração;
Que sua doçura possa confortar os aflitos e sua alegria trazer esperança aos teus filhos;
E que sua beleza e sua força nos ajude a caminhar, em tempos de tantas mudanças.(Ana P. N. Andrade)
Eri Yéyé ó!
nos dê sua benção...

onde estou...




Iansã
Cetano Veloso
"Para onde vai a minha vida e quem a leva?
Porque eu faço sempre o que não queria?
Que destino contínuo se passa em mim na treva?
Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?"
Senhora das nuvens de chumbo
Senhora do mundo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Senhora das chuvas de junho
Senhora de tudo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Eu sou o céu para as tuas tempestades
Um céu partido ao meio no meio da tarde
Eu sou um céu para as tuas tempestades
Deusa pagã dos relâmpagos
Das chuvas de todo ano
Dentro de mim, dentro de mim

Iansã
Iansã, Cadê Ogum?
Foi pro mar!
Mas Iansã, Cadê Ogum?
Foi pro mar!
Iansã penteia
Os seus cabelos macios
Quando a luz da lua cheia
Clareia as águas do rio
Ogum sonhava
Com a filha de Nanã
E pensava q as estrelas
Eram os olhos de Iansã
Mas Iansã, Cadê Ogum?
Foi pro mar!
Iansã, Cadê Ogum?
Foi pro mar!
Na terra dos orixás
Um amor se dividia
Entre um deus que era de paz
E outro deus que combatia
Como a luta só termina
Quando existe um vencedor
Iansã virou rainha na coroa de xangô
Mas Iansã, Cadê Ogum?
Foi pro mar!

Prece à Iansã
Oiá... Oiá... nossos passos. Iansã, Rainha, Mãe e Protetora. Epahei nossa mãe Divina. Deusa divina dos ventos e das tempestades. Deixa-nos sentir também a tua bonança. Iansã dos relâmpagos, dá-nos uma faísca da tua graça divina. Epahei, Epahei... Oiá!
Epahei!
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onde estou...


A casa
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque a casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.
O pato
Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há.
O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.
O relógio
Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac...
A porta
Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.
Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.
Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.
Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!
...de Vinicius de Moraes

bjus..meu Eu...
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onde estou...

"...E cruzam-se as linhas no fino tear do destino. Tuas mãos nas minhas." Guilherme de Almeida

Olhas-me
Olhas-me
e as palavras multiplicam-se nas palmas das minhas mãos
nos teus cabelos fundos viaja a minha voz.
Falas-me
e mares abrem-se
que se arrepiam de beijos e carícias dos ventos.
E amo-te no infindável meio-dia.
Dímitra Mandá

Se abrirán las flores
Flores, las flores se abrirán,
Puras y audaces florecerán en nuestro espíritu.
Blancas, la juventud se arrojará
Resueltamente hacia la transformación, encendiendo las llamas de nuestra certidumbre.
La sabiduría contra el desencanto
Da un paso adelante, hacia las multitudes.
Vida presta al sacrificio
En medio de la confusión, para el bien del pueblo.
Flores, las flores se abrirán en toda su osadía
Lentamente podrán florecer, para durar eternamente.
Aquí, allí y en todo lugar
Frescas flores, para todo el pueblo.
Chiranan Pitpreecha
Tradução de Raúl Jaime Gaviria

Porque era ela, porque era eu
Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu, por que eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando
Pela mão
Íamos tontos os dois assim ao léu
Ríamos, chorávamos sem razão
Hoje, lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu
Chico Buarque
...meu Eu..beijos..
![]()

![]()

Serenamente
Aqui serenamente
sou feliz
sem qualquer memória do passado
sem qualquer cansaço
mascarado
ou trevas que encubram
qualquer escombro
de ti tudo o que vem
é quente e súbito
da tua voz
amor
do nosso encontro único
Maria Teresa Horta
![]()

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
Clarice Lispector
![]()
Se tem luar no céu
Retira o véu e faz chover
Sobre o nosso amor
Chuva de prata que cai sem parar
Quase me mata de tanto esperar
Um beijo molhado de luz
Sela o nosso amor
Basta um pouquinho de mel prá adoçar
Deixa cair o seu véu sobre nós
Oh, lua bonita no céu molha o nosso amor
Toda vez que o amor disser: Vem comigo!
Vai sem medo de se arrepender
Você deve acreditar no que é lindo
Pode ir fundo, isso é que é viver
Cola seu rosto no meu, vem dançar
Pinga seu nome no breu pra ficar
Enquanto se esquece de mim
Lembra da canção
Toda vez que o amor disser: Vem comigo!
Vai sem medo de se arrepender
Você deve acreditar no que eu digo
Pode ir fundo, isso é que é viver
Chuva de prata que cai sem parar
Quase me mata de tanto esperar
Um beijo molhado de luz
Sela o nosso amor
Enquanto se esquece de mim
Lembra da canção
Oh, lua bonita no céu
Banha o nosso amor...
beijo vc...meu Eu.



Mar
Mar!
E é um aberto poema que ressoa
No búzio do areal...
Ah, quem pudesse ouvi-lo sem mais versos!
Assim puro,
Assim azul,
Assim salgado...
Milagre horizontal
Universal,
Numa palavra só realizado.
Miguel Torga
![]()

Casa branca
Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.
A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.
Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.
Sophia de Mello Breyner

Balada das vinte meninas friorentas
Vinte meninas, não mais,
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.
Vinte meninas, não mais,
Eu via naquele muro:
Tinham cabecinha preta,
Vestidinho azul escuro.
As minhas vinte meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Chegaram na Primavera
E acenaram lá dos céus.
As minhas vinte meninas
Dormiam quentes num ninho
Feito de amor e de terra,
Feito de lama e carinho.
As minhas vinte meninas
Para o almoço e o jantar
Tinham coisas pequeninas,
Que apanhavam pelo ar.
Já passou a Primavera
Suas horas pequeninas:
E houve um milagre nos ninhos.
Pois foram mães, as meninas!
Eram ovos redondinhos
Que apetecia beijar:
Ovos que continham vidas
E asinhas para voar.
Já não são vinte meninas
Que a luz do Sol acalenta.
São muitas mais! muitas mais!
Não são vinte, são oitenta!
Depois oitenta meninas
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.
Mas as oitenta meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Em certo dia de Outono
Perderam-se pelos céus.
Matilde Rosa Araújo
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beijo em voce...



... A cortina que separa as minhas
canções das tuas por um momento
esvoaçou ao vento. Então vi que a luz
da tua manhã estava repleta das canções
mudas que eu jamais cantei... Pensei
que as aprenderia aos teus pés, e
sentei-me, em silêncio...
Tagore
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As carícias do olhar são as mais adoráveis
Chegam ao fundo da alma, aos limites do Ser.
e libertam assim segredos inefáveis
de outro modo em silêncio, e sem ninguém saber.
Os beijos puros, são grosseiros, junto a elas;
mais que qualquer palavra o seu falar é forte;
nada exprime melhor, no mundo, as coisas belas
que passam num momento, em efêmera sorte.
Quando a idade envelhece a boca em seu sorrir
que as rugas vão marcando aos poucos de amargura,
intacta ainda, mantém sua límpida ternura.
Feitas para inebriar, consolar, seduzir,
guardam toda a doçura, e os ardores e o encanto!
Que outra carícia em luz trespassa o nosso pranto?
Auguste Angellier
Tradução J.G. de Araujo Jorge
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...Nem mesmo o céu...nem as estrelas...nem mesmo o mar e o infinito...nada é maior que o meu amor..nem mais bonito…como é grande o meu amor por voce..
...
...Eu te proponho nós nos amarmos...nos entregarmos...neste momento tudo lá fora deixar ficar...eu te proponho te dar meu corpo...depois do amor...o meu conforto ...e além de tudo...depois de tudo...te dar a minha paz...
te beijo...meu Eu..
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